Voltar 

A fé do Faiense

O habitante da Faia era, por natureza, crente e devoto, da sua fé simples e espontânea, transmitida de geração em geração, eram numerosos os testemunhos: a Igreja, o cruzeiro (no adro da Igreja), as Capelas do Senhor da Aflição e o senhor dos Passos nos cumes dos montes sobranceiros à povoação, e aínda, a cada passo, as cruzes que encimavam os palheiros.
A índole cristã do povo manifestava-se frequentemente na necessidade de oração. Os faienses rezavam, com fervor e confiadamente, para invicar a proteção de Deus e dos santos, nas aflições ou para agradecer qualquer bem recebido: rezavam ao ouvir o toque diário das Avé-Marias quando o sino convidava à oração. Assistiam com devoção à missa, ao Domingo e em qualquer outro dia da semana, sempre que o sacerdote (que tinha de assistir a duas freguesias) a podia celebrar.


 Capela do Senhor dos Passos

 


A Igreja nos tempos actuais

Quando as badaladas da torre da Igreja anunciavam que tinha chegado a hora da missa, todos abandonavam os seus lares e caminhavam para lá; a aldeia ficava deserta. O sino chamava também as fieis para o terço que por iniciativa popular se rezava na Igreja quase todos os dias, e cada mês por sua intenção, mesmo sem a presença do padre.

Havia sempre vivo interesse em assistir às celebrações litúrgicas, quer em dias festivos, quer nas comemorações que de certo modo convidavam à tristeza e à meditação. Assim, "no dia dos mortos" não esqueciam aqueles que já tinham morrido e que os precederam na mesma fé nas mesmas crenças.

Almas dos faienses, almas simples, assim com a fé neles se arreigou, assim também as crendices e as práticas supersticiosas neles tinham acolhimento.
Acreditavam nas feiticeiras ou almas do outro mundo e nos espíritos maus.


Capela do Senhor da Aflição, hoje

As feiticeiras apareciam na igreja ou no cemitério; às vezes saíam do cemitério e acompanhavam as pessoas; podiam transformar-se em marrecos, em mulheres vestidas de branco e de negro, etc. os espíritos das pessoas que tinham morrido sem terem cumprido as suas promessas encarnar nas pessoas vivas e diziam o que pretendiam, depois de cumprida a promessa nunca mais as apoquentavam.
Chegavam a atribuir às feiticeiras qualquer ruído ou fenómeno que à primeira vista não sabiam explicar. Havia diversos casos passados com crianças e mesmo com adultos que mais pareciam histórias mas que revelavam bem quanto o povo temia as feiticeiras

  Voltar