Alcunhados de cágados pelos habitantes das povoações
circunvizinhas, os faienses eram prudentes nos seus negócios, não se
deixando facilmente enganar.
Na convivência com habitantes das povoações próximas, principalmente com
os do Granjal, Freixinho e Fonte Arcada as relações nem sempre foram
amistosas.
Entre os freixenses e os faienses existia de há muito uma certa
rivalidade que se exprimia até em cantigas e versos de sabor mais ou
menos irónico:
"Os
berrêlhos de Freixinho
Não
comem senão farelos
P´ra
pouparem o dinheiro
P´ra
sapatos amarelos".
Esta rivalidade deu outrora origem a grandes desentendimentos, entre
dois povos, chegando a ocasionar lutas sangrentas e mortes. Os
berrêlhos quando se |
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dirigiam para Moimenta da Beira costumavam dar um
volta maior, por caminho mais longo, só para não passarem pela Faia.
No entanto, para quem visitava a Faia, os faienses eram hospitaleiros e
amigos de obsequiar sem olharem a recompensa.
Entre si, a solidariedade que unia os membros de
cada família reflectia-se nas relações sociais da comunidade.
Generosos, amigos uns dos outros e prestáveis, ajudavam-se
mutuamente sempre que era necessário, tal como sucedia nas escanadas,
vindimas e principalmente nas malhadas, sem esperarem qualquer
remuneração.
As laijas, que ficavam em pontos elevados, eram cedidas
gratuitamente pelos donos quando outros precisavam de utilizá-las. O
forno era do povo e era de comum acordo que as mulheres combinavam
entre si as horas e os dias em que haviam de cozer o pão.
Findos os trabalhos diários e enquanto as mulheres preparavam a
ceia, os homens reuniam-se na praça (ver as figuras à direita). Ali
trocavam impressões, ali sabiam as novidades e tomavam conhecimento
de alguma notícia que vinha no jornal (que |
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chegava com dois
dias de atraso. Como a praça era o ponto de reunião dos homens, era lá
também que botavam editais para que deles todos tivessem
conhecimento. |
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Dentro da povoação, a vida do dia a dia sempre
correu sem grandes complicações pois os fadistas (como os
próprios faienses se intitulavam) eram moderadoe e pacíficos.
Alegres, lá iam em grandes grupos quando se encaminhavam para as
romarias (o seu divertimento predilecto): à frente o tocador, atrás
o rancho com as merendas à cabeça ou à mão. Não importava que para
lá chegarem tivessem que percorrer a pé 15 ou 20 Km! O entusiasmo
nunca faltava pois seriam recompensados da caminhada com algumas
horas de despreocupada folia que passavam na romagem.
Muitos dos que tomavam parte da romaria não iam só para se divertir,
iam também para cumprir a romaria, pois deviam lá em
virtude das
promessas feitas ao santo em louvor do qual se fazia a festa.
Assim levavam taleigos com trigo, velas, dinheiro ou faziam a romaria em
redor ou dentro da capela cujo patrono invocavam. |
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Acabada a festa todos regressavam à sua terra dispostos a trabalhar com
redobrado ânimo, depois de uma noite e um dia em que andavam na borga. |
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