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A Fidalguia o Povo e a Agricultura

Na Faia viveram grandes senhores e fidalgos: as casas grandes que habitaram mostravam, a pedra trabalhada com mais cuidado e eram rodeadas por vezes de muros dentados como se o coroassem as ameias de um castelo feudal; destacavam-se duas rudes construções, de pedras sobrepostas sem qualquer preocupação de embelezamento de formas.

Na Quinta do Penedo da Hera ou Raposeira (que pertence hoje aos herdeiros de Rafael Gonçalves e em 1899 pertencia aos herdeiros de D. Maria Margarida, fidalga de Mões.
Uma das divisões da casa ten no seu tecto a pintura de um brasão; deve ter sido ali a capela do solar porque na própria madeira que forma uma das paredes estão pintadas duas imagens; uma de Santo António e outra talvez de Santa Luzia (as tintas muito apagadas e a madeira enegrecida tornam pouco nítida a imagem).
Não era só nas habitações que se encontravam vestígios da fidalguia que viveu naqueles lugares; os apelidos que usam, aínda, algumas das famílias mais abastadas da Faia (Sobral, Caiado, Gouveia)
lembram esse nobres e homens célebres, que os usaram também.

 
Como explicar a formação deste agregado populacional, numa zona quase inteiramente plana, sem defesa natural, sem a protecção das muralhas dum castelo, onde pudesse refugiar-se para resistir ao inimigo?
É natural que tenha sido a riqueza do solo, aliada à beleza natural, a razão deste povoamento.

A vegetação era exuberante; e a terra, que as águas dos rios e dos córregos fecundavam, era rica e produzia grande variedade de produtos agrícolas, de qualidades apreciáveis.

Havia água em abundância para regas. Assim a Faia vivia da agricultura. Quase nada importava; e exportava, em grande quantidade, batata, feijão, milho, linhaça, castanha, nozes e frutos verdes.

O terreno estava dividido em pequenas parcelas: "dividida como está aqui a propriedade, acessível, portanto, à cultura de todos, dela beneficiam os mais pobres" (Moreira: 1929, p. 43).
Os campos, cobertos para todo o ano de fresca relva, forneciam alimentação para o gado, e permitiam a criação deste

(sobretudo gado ovino) em larga escala.
Numa região puramente agrícola como esta, onde os braços eram poucos para os trabalhos da terra, faltavam as grandes indústrias; mas havia indústrias caseiras, pequenas indústrias: cultura e fiação do linho, fabricação do queijo, etc. que no entanto, pouca influência exerciam na vida económica da Faia. 

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