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Mosteiro
da
Ribeira

                          

 

 

 

 

 

 

 

 


 

Depois do cruzamento para Viseu, prosseguindo em direcção a Moimenta da Beira, pelo novo traçado da estrada Nacional nº 226 encontra-se o desvio para Gradiz e logo adiante, num desvão da serra do Pereiro, na margem direita do Távora, fica alcantilada a povoação do Mosteiro. A estreita ponte que atravessa o rio era de madeira ainda há bem pouco tempo. Hoje dispõe de um tabuleiro mais consistente e o caminho, de há algum tempo a esta parte, está solidamente empedrado.
  
A povoação, com pouco mais que uma vintena de habitantes, nasceu e cresceu (ainda que agora esteja rarefeita) à sombra do velho Mosteiro da Ribeira, erecto em pleno século XV por frades de S. Francisco e que, no século seguinte, passou para freiras da mesma espiritualidade e obediência. Renovado com obra de boa cantaria em 1726, alinhou com a extinção das Ordens Religiosas decretada em 1834 pelo Ministro Joaquim António de Aguiar, o cognominado Mata-frades. Por ser um mosteiro feminino, foi concedido que se mantivessem as religiosas até óbito da última, mas sem mais admissões e sem quaisquer apoios – o que fez que as sorores, para sobreviverem, tivessem lançado mão da venda de muitas coisas. Tal facto, aliado à sanha oportunista e destruidora, originou a degradação patrimonial que o estado de coisas no convento, na igreja e na quinta demonstra à saciedade.
  
A casa está irreconhecível, a cerca pequena mostra uma série de pequenas capelas caídas. Resta, no entanto, uma lindíssima fonte de água abundante e fresca, dotada de amplo reservatório, fautor da rega racional e com uma espécie de tanque de compensação, a antecipar as modernas técnicas de construção de piscinas e tanques de aprendizagem de natação.
A igreja, com seu mirante panorâmico, mantém-se em pé e aberta ao culto, embora carecendo de urgente restauro ou recuperação devido à excessiva permeabilidade às humidades infiltráveis. É pena, se o seu altar-mor, sumptuoso e de belíssima talha dourada de finais do século XVII, se transmuta num acervo de escombros ou inumeráveis fragmentos… A Câmara Municipal tem o firme propósito de, em parceria com o IPPAR, proceder às obras de recuperação do notável imóvel.
  

O tecto da capela-mor, para além do arco cruzeiro levantado, ostentava 24 caixões pintados com monjas santas e outros santos de excelsa devoção. Encostados às paredes laterais, permanecem os altares de S. João Baptista de Santa Isabel, levantados um de cada lado, a partir de um chão de graníticas lajes funerárias, marcadas com números.

O largo principal envolve um alto cruzeiro de 1702, o que teria dado à minúscula aldeia um tom desinibido de franca religiosidade.

Em termos gastronómicos, a população herdou um doce de pêra, preparado na região, sobretudo em Setembro, que exalça a memória destas monjas que à virtude juntavam as artes do que satisfazia o gosto do inúmeros apreciadores das coisas boas.

À beira do Távora ainda os moinhos moem, mesmo que alguns tenham sido substituídos pelas mini-hídricas de duvidosas vantagens quer económicas quer ecológicas.
 

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