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A Lenda da Pastorinha

 

 

Diz a lenda que em 1498, uma pastorinha muda, de doze anos, chamada Joana, andava por ali a guardar um rebanho de ovelhas e introduziu-se nas fendas de um penedo, onde avistou uma imagem de Nossa Senhora. Ficou muito contente e teve a intuição que essa imagem era de Nossa Senhora. A Pastorinha aproxima-se, prostra-se e, extasiada, fica por largo tempo em fervorosa oração. Ao levantar-se, a pastorinha Joana reconhece a pobreza em que se encontrava a imagem, com as vestes a desfazerem-se pela acção do tempo e da humidade. Então, fez logo ali um altarzinho, limpou a imagem e colocou flores em seu redor.

 

À noite volta para casa, mas o seu coração fica preso àquela gruta onde está o seu "tesouro".
No dia seguinte, a pastorinha leva-o na sua cestinha de trabalho.
Como se tornou hábito deslocar-se até à gruta, começou a dar nas vistas e a mãe, quando soube, ordenou-lhe que fosse com as ovelhas para outros pastos. Joana, ao ver-se privada das visitas à gruta, começou a levar a imagem na sua cesta. Assim, onde ela estivesse a imagem estaria presente.
Certo dia, Joana chegou a casa com a imagem na cestinha (como era habitual) e a sua mãe chateada por ela andar a perder tempo a fazer vestidinhos para a "boneca" atirou com esta ao lume. Por grande desespero, a miúda que era muda começou de imediato a falar, gritando: Mãe essa imagem é Nossa Senhora!
Diz a lenda que a imagem não se queimou, mas nesse preciso momento a mãe ficou com um braço paralisado.
O arrependimento surgiu e depois de ambas rezarem, tudo voltou á normalidade. Todo o sucedido serviu como sinal de Nossa Senhora para que a imagem fosse recuperada.
O pároco da freguesia, sabendo desta história, pediu que a imagem fosse colocada na Igreja Matriz, para não ficar naquele ermo, só que a imagem desaparecia de lá e aparecia na gruta onde a Nossa Senhora queria ser venerada.
O tempo foi passando e, cerca de 70 anos depois, a Lapa foi entregue aos Jesuítas e estes é que desenvolveram o Santuário. Foi, então, construída uma capelinha mesmo no cimo dos penedos, de forma aos peregrinos poderem, aí, venerar a imagem.
Como a certa altura a Capelinha tornou-se pequena para receber tantos peregrinos que ali se deslocavam, os Jesuítas resolveram construir uma nova Igreja, mantendo os penedos lá dentro.
Uns anos mais tarde foram construídas residências para os Padres que ali ficavam durante todo o ano e, ao mesmo tempo, construíram-se também, residências para aqueles peregrinos que vinham de longe e ali tinham de permanecer.
 

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