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   O Lagarto da Lapa     
Lapa

O santuário foi construído sob a orientação dos Jesuítas. Era, segundo o Abade Moreira "grandioso, com escadaria cavada na rocha viva que alto arco sobrepuja".A igreja compõe-se de duas partes que se completam: o corpo e a capela-mor.
O Santuário guarda na capela-mor o rochedo milagroso com a imagem da Senhora da Lapa. São de salientar tesouros sem conto oferecidos até por reis  e rainhas, a cenografia dos altares da Crucificação e da Morte de S. José, que comovia até lágrimas, a fortíssima atracção do Presépio implantado no rochedo.  O altar de Nossa Senhora da Lapa foi erguido no local onde, segundo a lenda, a pastora Joana encontrou a imagem escondida pelas religiosas. Ali se venera há cerca de quatro séculos, como as multidões da Beira sabem venerar, aquela em quem veêm a luz nas suas trevas e o consolo nas angústias do coração.  Também o  altar da Virgem Adormecida, a Casa dos Milagres, cheia de quadros pintados, balanças pesando meninos de trigo, o lagarto da Lapa, temeroso, preso ao tecto por uma cadeia de ferro, entravam no imaginário de romeiros que enchia de histórias a noite de seus filhos.  A Senhora da Lapa, em Portugal e Santiago de Compostela, na Espanha, chegaram a ser, em tempos, os dois sanctuários mais importantes da Península Ibérica.

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O aproximar da trovoada
Miradouro da Lapa

 

A designação de Miradouro será talvez a mais adequada á função que este templete em conjunto com outros três tinham e cuja orientação se efectua de acordo com os pontos cardeais. Estes constituíam ponto básico de referência para os grupos que efectuavam peregrinações, pois ao avistá-los, reorganizavam as suas procissões para se dirigirem ao santuário.

O Lagarto da Lapa
Segundo consta, o enorme sardão que já se encontra há muitos anos no Santuário da Lapa, teria vindo da India.
Conta a lenda que um homem da região, que vivia na India, teria sido atacado por um grande caimão. Nesse momento, de grande aflição, o homem teria evocado a Nossa Senhora da Lapa para que lhe desse forças para o poder matar, tendo-o conseguido.
Em sinal de reconhecimento e gratidão pela ajuda, foi trazida a carapaça dorsal e a pele e com estes elementos reconstituiu-se o "bicho" e foi oferecido ao Santuário.
Com o passar dos anos a pele foi comida pela traça enquanto a outra parte se manteve. Mais tarde um devoto, ou simples curioso, lembrou-se de o restaurar, cobrindo a carapaça com uma tela oleada reformando assim uma das singularidades deste Santuário.
A existência do sardão, tem também uma outra explicação, esta originária da sempre fértil imaginação do povo. Assim consta que uma mulher que vinha de um povoado chamado Forca (hoje aldeia de Santo Estevão), a caminho de Quintela com novelos de linho para tecer, a meio da encosta da serra num local que tem como nome " Cova do Lagarto", veio a ser atacada por um enorme sardão de boca aberta para a comer. A mulher, aflita, lembrou-se de apelar à Senhora da Lapa e ocorreu-lhe a ideia de lançar ao monstro os novelos que levava no saco ficando com as pontas dos fios nas mãos. Com os novelos engolidos, a mulher foi puxando os fios o que fez com que engasgassem e levassem à morte, o enorme bicho. Em sinal de gratidão a mulher trouxe o animal para a Lapa.
Esta segunda versão sobre a origem deste ex-voto, sem dúvida menos plausível do que a primeira, pois um sardão (lagarto) deste tamanho dificilmente poderia existir nesta zona, foi no entanto a lhe deu o nome pelo qual é conhecido.

Texto: Câmara Municipal de Sernancelhe 

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