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Lendas de Carácter Mouro

                                                           Da Quinta de Rape
Em frente do portão da entrada da quinta, faceando com um cômoro sobranceiro ao caminho público, em lugar poético e gracioso, ensombrado de castanheiros e carvalhos, está um enorme monólito de granito. No centro da larga superfície plana destaca-se um orifício - é o ninho da lenda. Dentro do penedo vive a moura a penar cruel e interminável fadário: tece, tece eternamente, enquanto durar o seu encantamento...
Quem o ouvido fixar ao buraco do penedo ouvirá o ruído dos teares que se movem continuamente num infindável vaivém.
Claro que é preciso cuidado: não encostar o ouvido na presença e a mando de outrem. Pode sentir-se um disformre estampido por encosto forçado e violento, que pode fazer ver as estrelas do céu, mesmo no pino do meio dia.

                                                         Do Monte dos Pinheiros
Nesse lugar, fica um morro elevado e todo coberto de pedras soltas, encavalitadas à maneira de torres. Um penedo de face plana assenta sobre outros penedos formando uma gruta estreita à entrada e cavada em forma de sino. É o niho da moura, obumbrado por um desconfortável acervo de matacões sotapostos. Ali vive desde o tempo dos árabes gemendo o seu triste fadário e guardando seu precioso tesouro.
Pessoas resolutas, demandando riqueza lá têm acorrido, mas ninguém arrebanhou o tesouro, menos a mão da rica dona, a moura. O seu fado não chegara nem chegará ao fim!

                                                      A Lenda da Toca da Moura
É em Fonte Arcada. A moura aninha-se na fonte arcaica ensombrada de castanheiros, nogueiras e outras árvores abundantemente frondosas. Bem perto há uma habitação que que sobrepuja a fonte.
Segundo a tradição lendária, à fonte liga-se um subterrâneo que completa a instância de morada da moura encantada. Nunca esta viu o encanto desfeito, porque só o hão tentado pessoas de má sorte.
E a moura continua no seu fadário de encantamento, esquivando-se sempre dos olhares dos mortais.

                                                  A Lenda da Ardínia ou Ardinga
Esta princesa, galante moura, filha de um emir ou rei árabe, com arraiais assentes no burgo lamecense, é o sujeito de uma enome paixão amorosa. Inflamada pela fama das vitórias de D. Tedom, vem alta noite, lá dos seus paços, sozinha com uma colaça, até ao acampamento dos cristãos acantonados nas margens do Távora. Ali encontrou somente o monge beneditino Gelásio, porque Tedom andava em batidas aos árabes.
O monge, a quem ela revelou os seus amores, recebe-a com gentileza e aproveita a oportunidade para a catequizar e dar sentido cristão ao seu enlevo amoroso.
O pai de Ardínia, descoberta a prófuga, afogou-a impiedosamente nas águas do rio. D. Tedom, ao regressar, não oculta a grande mágoa que se apoderou de si e, em preito de gratidão à moura apaixonada, promete não desposar mulher alguma e passar o resto dos dias num cenóbio guardado perpetuamente, sob o hábito de estamenha grosseira, a flor mal reverdecida da sua paixão.

 

                                                      

 

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