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Aquilino Ribeiro

(1885 - 1963)


Escritor português, natural de Carregal de Tabosa, no concelho de Sernancelhe, Beira Alta, região cujas características e personagens-tipo perpassam em várias das suas obras. Segundo o próprio Aquilino, a sua vocação de escritor ter-se-á manifestado desde cedo, quando o professor de português, um velho clérigo, pediu aos seus alunos que escrevessem um diálogo entre uma abelha e um piano. Fascinado pelo tema, Aquilino escreveu um texto saudado pelo professor como uma verdadeira revelação de um escritor.

     
          

Estudou durante vários anos no colégio da Lapa (1895-1900), no Porto, no colégio Rosina, em Lamego (1900-1902) e em Viseu. Em Outubro de 1902, para satisfazer os desejos de sua mãe, entrou no seminário de Beja, de que foi afastado, em 1904, tendo então regressado à Beira, onde passou mais de um ano. Em 1906, foi para Lisboa, escrevendo para o jornal Vanguarda, onde publicou, com José Ferreira da Silva, A Filha do Jardineiro. Tendo-se envolvido em movimentos revolucionários, viu-se obrigado a viver escondido, durante algum tempo, em Lisboa, partindo, em 1908, para Paris. Em 1910, regressou a Portugal, mas nesse mesmo ano voltou para Paris, para estudar na Sorbonne. Em Paris, publicou o seu primeiro livro de contos, Jardim das Tormentas, bem acolhido pela crítica e que, segundo Aquilino, revelava já os seus gostos e tendências sociais e os assuntos que o atraíam e que viria a desenvolver em obras futuras: o homem infeliz, mas também o homem «erguido acima da sua condição por um golpe de sorte ou de vontade», a paixão pela natureza «à maneira dos impressionistas», a inserção do homem no seu meio físico e social. Em 1914, nascido o primeiro filho e declarada a I Guerra Mundial, regressou a Portugal, tendo leccionado durante três anos no liceu Luís de Camões, em Lisboa (1915-1918) e sendo, depois disso, bibliotecário da Biblioteca Nacional.
  Pertenceu à direcção da revista Seara Nova, para cuja fundação contribuiu. Implicado na revolta gorada contra a ditadura militar (3 de Janeiro de 1927) voltou a Paris, mas, tendo perdido a mulher, regressou no final desse ano à Beira Alta.
Em 1928, envolveu-se numa conjura revolucionária que o levou à prisão. Conseguiu evadir-se, fugindo uma vez mais do país.
Em 1929, casou com a filha de Bernardino Machado, igualmente exilado.
Nesse mesmo ano, foi julgado e condenado à revelia no tribunal militar de Santa Clara, em Lisboa. No ano seguinte, nasceu o filho do segundo casamento e, em 1932, tendo Aquilino sido amnistiado, a família regressou definitivamente a Portugal, passando a residir na Cruz Quebrada. Em 1934, foi eleito sócio-correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e, mais tarde (1958), sócio efectivo. Foi homenageado e condecorado pelo governo brasileiro com a comenda do Cruzeiro do Sul, em 1952, e em 1960 foi proposta, por Francisco Vieira de Almeida, a sua candidatura ao Prémio Nobel da Literatura.
  Como escritor, foi autor de contos, novelas, romances, estudos etnográficos, biografias, ensaios, impressões de viagem, literatura infantil e traduções. As suas obras de ficção inspiraram-se, sobretudo na primeira fase, nos ambientes da Beira Alta, onde nasceu, recuperando episódios e tipos da sua infância, sem cair no autobiografismo óbvio. Este mundo rural manifesta-se, nos textos do autor, pleno de força e desenvolvendo-se frequentemente no motivo da oposição entre a vitalidade humana, material e livre, e as forças de opressão, brutalidade e morte.

Contemporâneo da geração de Orpheu, não se filiou em qualquer escola literária, e soube captar, de forma instintiva, tanto as forças naturais quanto os ambientes citadinos, dominando quer a vivacidade da linguagem rústica, quer a gíria urbana, numa riqueza lexical sem paralelo na moderna prosa portuguesa. A força anímica e a qualidade artística dos seus textos, fulgurantes na exploração das possibilidades da língua, tornaram-no um dos escritores mais significativos e originais da literatura nacional contemporânea.

 
   
        
  Das mais de setenta obras escritas pelo autor, destacam-se, para além das já referidas, Jardim das Tormentas (1913), Via Sinuosa, (1918), Terras do Demo (1919), Estrada de Santiago (cujo conto inicial era O Malhadinhas, 1922), Arca de Noé, Terceira Classe (1924, obra de literatura infantil), O Romance da Raposa (1924, também para a infância), Andam Faunos Pelos Bosques (1926), O Homem Que Matou o Diabo (1930), Batalha Sem Fim (1932), Aventura Maravilhosa (1936), Mónica (1939), Volfrâmio (1944), Lápides Partidas (1945), O Malhadinhas (1946), Aldeia (1946), O Arcanjo Negro (1947), Cinco Réis de Gente (1948), Uma Luz ao Longe (1949), Geografia Sentimental (1951), O Homem da Nave (1951), A Casa Grande de Romarigães (1957) e Quando os Lobos Uivam (1958).               
                      
     
  Onde Nasceu Aquilino Ribeiro
Proposta de Aquilino Ribeiro a Prémio Nobel
Carta de V. Nemésio a Aquilino Ribeiro
    Extratos de Jornais:  O Quinteto da Beira
    
                             Crónica romanceada do Alto Minho
                                            Aquilianos reunidos em Viseu
                                            Paredes de Coura homenegeia Aquilino Ribeiro
                                            Memórias e retratos para Aquilino a várias vozes
                                            Espólio de Aquilino fica em Paredes de Coura
                                            Aquilino - a escrita em acção
                                            Acto comemorativo do 75º aniversário em Vigo
                                           
Rota dos escritores com Aquilino
                                 Aquilino Ribeiro e Romarigães
 
     
 


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