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Porto ·  09 de Dezembro de 1999
Aquilinianos reunidos hoje em Viseu

Centro de Estudos evoca admiração do escritor por Garrett

José Gomes Bandeira
 

 

 

Leitores e investigadores da vida e da obra de Aquilino Ribeiro vão hoje encontrar-se em Viseu, por iniciativa o Centro de Estudos que há vários anos desenvolve um trabalho de vulto centrado no conhecimento e divulgação do legado e da memória do grande escritor e mestre da língua. De facto, pelas 18 horas, no Auditório Engrácia Carrilho, da Universidade Católica, vai ter lugar uma sessão cujo programa insere a comunicação "Garrett, Aquilino e alguns mais: a linhagem da 'Viagens na Minha Terra' ", pelo prof. Ernesto Rodrigues, da Universidade de Lisboa, seguindo-se o lançamento de nada menos de dois novos volumes (números 8 e 9) dos excelentes Cadernos Aquilinianos. Os participantes juntam-se depois, para terminar em convívio, num magusto com castanhas de Sernancelhe, região das 'terras do demo' profundamente ligada ao escritor, cuja obra é também um canto às velhas árvores, símbolos duma 'paisagem cultural' que se prende aos homens e aos bichos, numa relação de dependência dentro de um mundo que poucos souberam olhar como Aquilino Ribeiro.

Uma nova escrita

A 'presença' de Garrett nesta sessão (e num dos próximos 'Cadernos') do Centro de Estudos Aquilino Ribeiro (CEAR), no ano das comemorações do bicentenário do introdutor do romantismo em Portugal e combatente pela liberdade, relaciona aspectos menos conhecidos entre os dois escritores, também com pontos comuns no percurso das suas vidas, a começar pelos exílios. O prof. Henrique Almeida já diz no prefácio do nono volume que "não está de todo apurada a herança de modernidade da sua (Garrett) linguagem na escrita de aquiliniana, mormente na que provem da linhagem das 'Viagens na Minha Terra' ". De resto, lembra o director dos 'Cadernos', Aquilino escreveu que as 'Viagens' "são um livro revolucionário" e que "são como um fosso na literatura portuguesa", deixando para trás uma época e abrindo um novo tempo na escrita e na literatura. A musicalidade da língua portuguesa era um dos aspectos que o autor de "A Casa Grande de Romarigães" acentuava na herança garrettiana.

Concurso literário

A publicação de Centro de Estudos viseense tem-se distinguido pela exemplaridade destes olhares e da pesquisa de um bom grupo de especialistas em torno de Aquilino Ribeiro. E é também, na variedade das suas preocupações (que a tornam atraente), um polo de actividades em torno do autor de "O Malhadinhas" mas que se expande para outros campos, estimulando o intercâmbio entre pessoas e instituições e a própria criação. Um exemplo disso é o 'Concurso Literário Aquilino Ribeiro' resultante de um acordo entre o CEAR e a Câmara Municipal de Oeiras, com apoio também do Governo Civil de Viseu para um prémio de mil contos a atribuir, alternadamente, a trabalhos sobre duas temáticas: monografia sobre itinerário e obra do escritor (que abre o concurso; entrega dos trabalhos até 30 de Março próximo), ou um trabalho de ficção. Com apoio dos municípios da região das 'terras do demo' será publicado o texto premiado.

O CEAR, já declarado instituição de utilidade pública pelo Conselho de Ministros, como o JN noticiou, e com espaço próprio cedido pela Universidade Católica (com condições para constituir uma biblioteca temática) vai ainda ter, em breve, um ‘site’ na Internet.

A avaliar pelo sumário dos dois números que hoje vão ser lançados em Viseu alarga-se a área de atenção temática, destacando-se no capítulo "Arquivo" um dossier intitulado "Cinquentenário da vida literária de Aquilino Ribeiro". Em "Estudos", onde se inserem habitualmente investigações e trabalhos ligados a aspectos da obra do escritor, os 'Cadernos' apresentam agora um total de nove títulos.

© 1999 Jornal de Notícias

 

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