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CARTA A AQUILINO RIBEIRO

[Carta], 1935 Abr. 17, Paris, [a] Aquilino Ribeiro, Cruz Quebrada / V. Nemésio. [2] p. em [1] f. ; 22 cm

Autógrafo assinado. – Acompanhado de sobrescrito. – Nemésio, que tinha a categoria de Professor Auxiliar Contratado da Faculdade de Letras de Lisboa desde Mar. 1932, comunica a Aquilino que «os Romões e quejandos» não lhe renovaram o contrato e que se está preparando para o próximo concurso (que abrirá a 15 Nov. 1935). Nemésio não teve qualquer vínculo à referida instituição desde 28 Fev. 1935, altura em que terminou o contrato, até 27 Out. 1939, data da sua nomeação como Professor Auxiliar Efectivo.

BN Esp. D11/cx. 126
Talvez V. saiba que os Romões e quejandos torpedearam a proposta da minha recondução como prof.auxiliar contratado da Fac.de de Letras.

A lei exige 4/5 da votação para os contratos e os tipos souberam acocorar-se sob os refegos da lei. Em França e em tôda a parte o doutoramento feito nas condições do meu (isto é, com trabalho original, honesto e volumoso) dá imediato direito à maîtrise de conférences, equivalência


 

da droga a que chamam aí prof. auxiliar. Em Portugal êsse grau vale tanto como uma carta de trabalho em terra onde o não há. É apenas uma condição para o concurso público, que exige outra tese e outra farsada de preguntas e respostas. Para êle me preparo – mas talvez tenha de comprar uma bengala. A ver vamos. Entretanto rôo a bôlsa que a Junta me dá e que não sei se os árgus do Estado Novo resolverão tirar-me.

Carta a Aquilino Ribeiro, 17 Abr. 1935

Entre parêntesis, deixe-me dizer-lhe que estou farto de Universidades até aos olhos. Não é o trabalho de investigação que me assusta, nem sequer as horas de palestra preparada que se reservam aos rapazes, e em que a gente aprende tanto como ensina. Mas é verdadeiramente insuportável esta comédia burlesca a que o sórdido ressentimento dos Romões e dos Cordeiros nos obriga: doutoramentos, concursos, psitacismos. Com isso é que não posso decididamente mais!

Carta a Aquilino Ribeiro, 14 Fev. 1936

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