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O nascimento de Aquilino foi registado em 7 de Novembro de 1885 na Igreja de Alhais, concelho de Vila Nova de Paiva - ao tempo, concelho de Fráguas - , data em que o baptismo foi oficializado pelo cura Luís Machado de Morais. Contudo, "nasceu na freguesia do Carregal, concelho de
Sernancelhe, diocese de Lamego, à uma hora da tarde do dia treze do mês de
Setembro do mesmo ano, filho natural e primeiro de Mariana do Rosário,
solteira, criada de servir…" É o que consta do registo. |
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A menina terá falecido
cedo, mas o Melchior acabou seus dias em Soutosa em 30 de Junho de 1967.
Conheci-o muito bem. Era proprietário e exercia também o ofício de
serralheiro. |
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Mariana do Rosário (Gomes, do apelido de seu pai Filipe) tinha nascido em Soutosa, freguesia de Peva em 4/7/1851 e, mais tarde, foi trabalhar no Carregal, como governanta da casa de Joaquim Francisco Ribeiro, este ali em serviço como responsável da paróquia, mas também natural de Soutosa. De relações entre os dois nasceram esses três filhos, que o pai perfilhou e reconheceu por escritura de 6 de Setembro de 1890, lavrada por Adelino Amado dos Santos Leite, notário de Sernancelhe. Joaquim Francisco Ribeiro prestou serviço no Carregal
desde Janeiro de 1879 até Março de 1895. Antecedeu-o o P.e encomendado João
de Sobral e substituiu-o o P.e José Gomes Oliveira. |
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temporariamente para a sua terra natal - a distância
entre Soutosa e o Carregal percorre-se a pé, em menos de duas horas. |
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A casa a relembrar será, portanto, esta residência, onde
viviam os pais à data do seu nascimento. E, mesmo que seus pais ainda ali
não residissem naquele ano de 1885, nem por isso o lugar deve ser esquecido,
porque foi lá que ele começou a abrir os olhos para o mundo que o rodearia e
que tão bem viria a descrever ao longo de inúmeras páginas dos seus livros.
Àquela casa se refere o escritor, com muito carinho e saudade, no "Cinco Reis de Gente", com muito de autobiográfico - " o actual romancito exprime o retorno que efectuei sobre esse passado, já bem longínquo mas ainda |
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inebriador" - diz no prefácio. Lá estão o "grande e
desmantelado (agora bem composto) pátio fidalgo" e os dois vetustos
ciprestes de que "recebia uma lição de altitude e firmeza". Em conclusão: o nascimento de Aquilino está mesmo
relacionado com aquele local, embora eu admita que sua mãe se tenha
socorrido, naqueles dias, de casa de pessoa amiga, onde encontrasse o
auxílio necessário. |
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Joaquim Francisco Ribeiro viveu os seus últimos anos em Soutosa na sua casa, onde faleceu em 26/8/1918 e que depois pertenceu ao escritor e agora é morada da Senhora Dra. D. Maria Josefa de Campos, viúva do Juíz Conselheiro Anibal Aquilino e sede da Fundação Aquilino Ribeiro. |
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Mestre Aquilino deixou-nos em 27 de Maio de 1963 e eu
assisti ao seu funeral em Lisboa no dia da tragédia da derrocada do Cais de
Sodré. Tive o privilégio de o ver algumas vezes na sua casa de Soutosa e foi
meu avô paterno quem lhe arranjou esconderijo numa das sua fugas da prisão,
como contei, mais pormenorizadamente, no meu livro "Ariz - um pouco da sua
história". É por isso que me não é indiferente tudo o que se relaciona com a
vida de um homem, que escreveu, além do mais, para cima de 70 livros. É
obra!. "A meia grosa de livros que escrevi foram de facto para mim … como
igual número de vinhas que plantasse ", diria em Quando os Lobos Uivam.
Relembrá-lo naquele pátio, onde a Câmara efectuou obras, não é retirar
direitos de propriedade a quem os tenha. É , pelo contrário, acrescentar
algo mais ao que antes existia. (Inspector Manuel Alcino Magalhães) |
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A bolota taluda ficara ali muito quieta, muito bem refastelada em virtude do
próprio peso, enterrada que nem pelouro de batalha depois de passarem carros
e carretas. Que fazer senão deitar-se a dormir?! Dormiu uma hora ou uma vida
inteira, quem sabe?! Um laparoto veio lá de cascos de rolha, rapou a terra,
fez um toural, aliviou-se, e ela ficou por baixo, sufocada sem poder
respirar, em plena escuridão. Estava no fim do fim? Um belisco, e do seu
flanco saiu como uma flecha. Era de luz ou de vida? Era uma fonte ou antes
um cântico de ave, de água corrente, de vagem a estalar com o sol (... )?
Era tudo isto, encarnado no fogo incomburente que lhe lavrava no flanco,
verbo que acabou por irradiar do próprio mistério do seu ser. Do pinhão, que um pé-de-vento arrancou da pinha-mãe, e da bolota, que a ave deixou cair no solo, repetido o acto mil vezes, gerou-se a floresta. A Casa Grande de Romarigães (excerto) |
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